Presidente brasileiro aborda a soberania nacional e a ineficácia do Conselho de Segurança da ONU em evento que une líderes da América Latina e da África.
Em um discurso contundente na Cúpula Celac-África, realizada em Bogotá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua preocupação com as intervenções externas e a atuação do Conselho de Segurança da ONU. Lula destacou que os países em desenvolvimento não devem ser vistos como alvos das grandes potências, que buscam dominar o cenário global:


“Não somos mais nações colonizadas. A nossa independência nos trouxe soberania e não podemos permitir que a integridade territorial de nossos países seja ameaçada”, afirmou.
O presidente brasileiro também criticou a aparente inércia da ONU em relação a conflitos internacionais, sugerindo que a organização deveria ser um bastião da paz, mas muitas vezes acaba sendo dominada pelas potências que iniciam guerras:
“Estamos presenciando a ineficácia total das Nações Unidas. O Conselho de Segurança foi criado para manter a paz, mas é frequentemente utilizado para justificar agressões. Quando tomaremos uma atitude para impedir que nações poderosas se sintam donas de países vulneráveis?”, questionou.
Lula também abordou a disputa por recursos naturais, como minerais críticos e terras raras, que são vitais para a economia global. Ele ressaltou que, após a exploração dos recursos dos países em desenvolvimento, as potências agora buscam monopolizar esses bens:
“Depois de explorarem tudo que podiam, agora querem controlar nossos minerais e terras raras. Já fomos colonizados, lutamos pela nossa independência e democracia, e agora enfrentamos uma nova tentativa de colonização”, alertou.
Sem mencionar diretamente o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, Lula criticou as justificativas utilizadas para intervenções militares, como a invasão do Irã sob a alegação de desenvolvimento de armas nucleares:
“A invasão do Irã foi justificada pela suposta construção de armas nucleares. E onde estão as armas químicas de Saddam Hussein? Não podemos viver em um mundo onde mentiras são usadas para criar inimigos e justificar destruição. Que tipo de mundo é esse?”, indagou.
O presidente também se manifestou sobre a situação política na Venezuela e em Cuba, questionando a legitimidade das ações que buscam intervir em países soberanos:
“O que aconteceu na Venezuela é uma afronta à democracia. Em que parte da carta da ONU diz que um país pode invadir outro? Não existe justificativa para a força ser utilizada dessa maneira. Estamos diante de uma nova colonização, agora motivada por nossos recursos naturais”, concluiu.
A Cúpula da Celac, que reúne líderes da América Latina e do Caribe, também discute temas como desenvolvimento econômico sustentável, combate à fome, mudanças climáticas e segurança alimentar, refletindo as tensões políticas na região.
