Martha Graeff, que reside em Miami, será ouvida após revelações de mensagens pessoais, enquanto outras convocações suscitam debates acalorados entre os senadores.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado tomou a decisão de convocar Martha Graeff, antiga noiva de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para depor. Residente em Miami, Graeff se tornou uma figura central nas investigações após o vazamento de mensagens trocadas entre ela e Vorcaro, que podem lançar luz sobre as operações do banco.


No encontro realizado na quarta-feira (18), a CPI também aprovou a convocação de Pedro Taques, ex-governador de Mato Grosso e ex-senador, para esclarecer supostas irregularidades relacionadas ao crédito consignado em seu estado. Além dele, diversas personalidades ligadas a empresas sob investigação foram chamadas a prestar esclarecimentos.
Por outro lado, a convocação de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, foi rejeitada por um placar de seis votos a quatro. O requerimento pedia que ele explicasse as doações feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, tanto ao próprio partido quanto às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas nas eleições de 2022.
Habeas Corpus em Debate
Após as convocações, os senadores iniciaram os depoimentos. O primeiro a ser ouvido foi Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, que atuou como denunciante de fraudes no Banco Master ao longo dos anos. Entretanto, o depoimento de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do Banco Central, foi cancelado devido à concessão de um habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal. Paulo Sérgio teria sido consultor informal de Vorcaro, repassando informações sigilosas para ele.
Os habeas corpus geraram protestos tanto na CPI do Crime Organizado quanto na CPI do INSS, pois o depoimento que ocorreria na mesma data, da presidente do Crefisa, Leila Pereira, também foi cancelado.
Com a CPI se aproximando do fim de seus trabalhos, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana, confirmou para a próxima segunda-feira o depoimento de Martha Graeff, que deverá se apresentar diante da comissão. Viana destacou a importância do testemunho dela, afirmando:
“Ela não é apenas uma namorada; ela é uma testemunha. Queremos ouvi-la sobre o que sabe em relação a este caso.”
Atualmente, o relatório final da CPMI já acumula cerca de 5 mil páginas. Carlos Viana acredita na possibilidade de prorrogação dos trabalhos, que estão agendados para se encerrar no dia 28 deste mês. Caso a prorrogação não se concretize, ele já considera alternativas para a apresentação do relatório.
“Minha ideia é fazer a leitura na terça ou quarta-feira. Vou discutir isso com os líderes para que possamos votar o relatório na quinta-feira (26), fazendo os ajustes necessários e buscando a aprovação.”
