TCE-MS suspende contrato de iluminação pública em Corumbá após apontar irregularidades

Decisão cautelar paralisa temporariamente a PPP de R$ 90 milhões

O Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) determinou a suspensão cautelar do contrato de Parceria Público-Privada (PPP) responsável pela modernização da iluminação pública em Corumbá. A decisão foi assinada em 20 de agosto pelo conselheiro substituto Célio Lima de Oliveira, após denúncia apontar falhas tanto no processo licitatório quanto na execução do contrato.

Contexto do contrato

O contrato, firmado em 12 de dezembro de 2024, durante a gestão do ex-prefeito Marcelo Iunes, previa um investimento de R$ 90 milhões ao longo de 15 anos para modernizar a rede de iluminação pública. O projeto era considerado uma das primeiras PPPs desse tipo no estado, gerando expectativa de melhorias significativas na infraestrutura urbana.

Problemas identificados pelo TCE

O Tribunal apontou que o Estudo Técnico Preliminar estava desatualizado e não apresentava inspeções de campo essenciais, comprometendo a avaliação do contrato. Além disso, foram destacadas outras falhas administrativas:

Transparência e registros públicos

ppp da iluminação pública em Corumbá
Live indexada no Google

Durante a gestão de Marcelo Iunes, uma live transmitida pelo site da Prefeitura e pelo YouTube mostrou a execução da PPP em tempo real. No entanto, os registros originais não estão mais disponíveis no portal oficial, embora tenham sido indexados pelo Google.

A situação levanta questionamentos sobre a continuidade da publicidade dos atos administrativos, até o fechamento dessa matéria, não tivemos acesso à live da PPP pelo site da Prefeitura que foi transmitida na época.

tce ppp da iluminação pública em corumbá ms
Página criada para dar publicidade da ppp não estava no ar até o fechamento desta matéria

Responsáveis intimados

O TCE convocou diversas autoridades a prestarem esclarecimentos, incluindo o atual prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira, a secretária de Infraestrutura Jossiely Godoi da Silva, o ex-prefeito Marcelo Iunes e outros ex-gestores. O não comparecimento pode resultar em penalidades de até 1.800 Uferms por pessoa.

Suspensão e solicitações da Prefeitura

A Prefeitura formalizou a suspensão do contrato no Diário Oficial do município em 2 de setembro. Antes disso, a ordem de serviço para início do projeto havia sido assinada pelo atual prefeito em 21 de julho. A Procuradoria-Geral do Município, representada por Roberto Ajala Lins, informou que foram apresentados esclarecimentos ao TCE e solicitada a reconsideração da suspensão, afirmando que não houve lacuna na fiscalização após a extinção da agência reguladora.

Impacto à população

A iluminação pública é considerada um serviço essencial, diretamente ligado à segurança e qualidade de vida da população. A suspensão cautelar da PPP cria um cenário de incerteza quanto à continuidade do projeto, reforçando a necessidade de transparência e planejamento adequado na execução de serviços públicos vitais.

Próximos passos

O contrato permanecerá suspenso até nova deliberação do TCE, enquanto a Prefeitura e os órgãos de controle seguem analisando medidas para garantir legalidade, fiscalização e continuidade do serviço sem prejuízo ao erário.

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